Na semana passada, eu li o livro "Livre-se das dívidas", de Reinaldo Domingos. A obra trata, evidentemente, do endividamento, que é um aspecto que interessa a muitos brasileiros e além disto, foca nas questões de: superação do endividamento, que pode derivar em construção da independência financeira, e definição de dívidas de valor e dívidas sem valor, ou seja, dívidas que "precisam" ser contraídas e dívidas que não precisamos contrair.
Em suma, é um bom livro, com boas explicações sem sombra de dúvida, mas não é este o aspecto que quero destacar aqui. O que eu quero discutir é um exemplo dado no livro, que não o desabona, mas que ilustra uma questão já abordada neste blog (clique aqui), sobre exemplos nem sempre realistas e que fazem parecer que alcançar objetivos financeiros é mais fácil do que de fato é.
O exemplo que questiono no livro é sobre a compra de um imóvel, cujo financiamento poderia ser substituído por um investimento mensal de R$ 634,00 mensais, além da permanência em um imóvel alugado, pagando R$ 400,00, durante 9 anos. Sinceramente, ainda que meramente hipotético, eu não consigo conceber tal exemplo como razoável para locais de alto custo de vida como Salvador e outras capitais, ainda mais considerando que uma família que pode economizar este valor para comprar um imóvel, opte por morar em um imóvel tão simples, que é o possível de alugar com R$ 400,00 mensais. Além disto, ao longo de 9 anos, haveriam reajustes anuais do aluguel, que ao longo deste período estaria em um valor muito maior, produzindo um resultado diferente para a estratégia.
Desta maneira, ressalto aqui a necessidade de aproveitar sim estes conhecimentos sobre finanças pessoais e propostas de estratégia, mas de forma crítica, refletindo sobre sua viabilidade e adequação, o que nem sempre acontece. Você pode estar perguntando: "mas é possível alcançar as diferentes realidades financeiras?" Claro que não, mas os exemplos podem sim e devem (ou ao menos tentar), refletir a realidade da maioria.
Até a próxima, pessoal!!!!!
Concordo, Marcelo! Para muitas pessoas, pagar juros de financiamento é melhor do passar quase 10 anos vivendo de aluguel num "cafofo" a R$ 400/mês. Não basta economizar a qualquer custo. É preciso ter senso crítico para avaliar o custo X benefício dessa dieta financeira. Até lá, muitos casamentos podem ruir, as crianças passariam a infância vivendo numa caixa de fósforos e você ficaria todo esse tempo com vergonha de chamar os amigos para um almoço em casa. É de doer!!! Mas antes que pense que defendo os financiamentos imobiliários (em alguns casos até vale à pena), sou fã dos consórcios, desde que se possa dar um lance e arrebatar logo o imóvel. Acho mehor economizar 2-3 anos para dar um lance, do que privar 1/6 da vida morando mal.
ResponderExcluirAlém disso, há um fator psicológico relevante: ao financiar o imóvel próprio, há a sensação de estar pagando por algo que (virtualmente) é seu, de estar "investindo" no imóvel próprio, o que ajuda motivacionalmente a direcionar os passos na concretização desse ideal, buscando a liquidação mais rápida do financiamento.
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