sábado, 17 de dezembro de 2011

Deixe seu planejamento financeiro ainda melhor...

O planejamento, definido de forma bem simples é o conjunto de ações que prevemos que vamos realizar, para sair de uma determinada situação para outra situação, evidentemente melhor. Então, ao planejar nós pensamos no que deveremos fazer para alcançar a tal situação futura melhor e buscamos simular o que pode acontecer de positivo e de negativo durante o processo e se prosseguiremos ou precisaremos corrigir o rumo das ações.

No planejamento financeiro não é muito diferente. Recomendamos sempre que o planejamento envolva toda a família, inclusive as crianças, para que elas cresçam com uma boa educação financeira, habituadas a planejar e a viver democraticamente, debatendo, apresentando opiniões e respeitando as demais, mesmo as contrárias, enfim, para que as crianças se constituam em bons cidadãos. Além disto, quando planejamos nossas finanças, queremos sair de uma situação financeira atual para outra mais favorável para toda a família, o que exigirá ações e esforços de todos na família, então, porque não aprimorar o processo de planejamento financeiro familiar?

Existe há algumas décadas um instrumento de planejamento que já foi muito utilizado por grandes empresas, chamado Análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities e Threats - que em português significam Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças). Então, faça um pequeno exercício junto com a sua família e responda quatro perguntas:

  1. Forças: De que nós dispomos (bons hábitos e competências) para melhorar nossa situação financeira?
  2. Fraquezas: De que nós sofremos (maus hábitos e deficiências) e pode piorar a situação financeira?
  3. Oportunidades: O que pode ser feito para melhorar nossas finanças? Existem oportunidades? Quais são essas oportunidades?
  4. Ameaças: O que pode vir a complicar nossas finanças? Quais são essas ameaças? Como nos prevenir? 
Não precisa se assustar com esta proposta, porque não vai precisar de muita coisa. Basta pensar durante alguns minutos e fazer uma breve reflexão a partir do que for identificado para cada um dos pontos citados acima e você terá um planejamento bem mais estruturado e com informações mais claras que o ajudarão a manter a determinação e superar os momentos difíceis.

Vale a pena ao menos experimentar!

domingo, 11 de dezembro de 2011

O paradigma da nova rica


Certamente muitas de nossas leitoras assistem as telenovelas e, quase que invariavelmente, as histórias possuem alguma personagem de origem humilde que, de repente, enriquece e encontra um par bonito e nascido em berço de ouro. Ou alguma garota que se considera feia e, através de um golpe do destino, torna-se bonita e rica, conquistando o grande amor da sua vida. O interessante é observar que, diferentemente de personagens masculinos, as heroínas costumam colocar os relacionamentos acima do dinheiro, por um lado pela ideia de que "dinheiro não traz felicidade" e por outro pela de que "dinheiro é o vil metal" e se dá melhor com os vilões.
A vida imita o vídeo, diz a canção dos Engenheiros do Hawaii. E o vídeo imita os contos de fadas. No imaginário coletivo, ainda se perpetuam, em pleno século XXI, as concepções machistas da Idade Média, onde o destino de uma mulher é encontrar um homem provedor e formar uma família, onde ela cuida do lar e dos filhos. Embora o mercado de trabalho tenha sido, nos últimos 20 anos, mais favorável às mulheres, inclusive em cargos de consultoras ou analistas financeiras, que conhecem profundamente o mercado, são raros os casos daquelas que se tornaram grandes investidoras.
A consultora americana Suze Orman esclarece, em seu livro As Mulheres e o Dinheiro (Editora Nova Fronteira), que esta realidade tem raízes culturais profundas e universais. Efetivamente, para os homens ganhar dinheiro se tornou um fim em si, enquanto que para as mulheres o dinheiro é algo secundário, geralmente administrado por um terceiro (companheiro(a) ou consultor/administrador), já que suas prioridades são o sucesso na carreira profissional ou o bem estar da família, sendo pouco comum a ocorrência das duas situações. Elas não se importam tanto com o quanto ganham, mas em beneficiar as pessoas ao redor e serem reconhecidas por isso, mesmo que custe seus momentos de folga ou até mesmo a própria saúde.
No citado livro, a autora advoga que a forma como uma mulher administra seu dinheiro diz muito sobre como ela administra a própria vida. Eu pessoalmente concordo e extendo essa percepção para além do gênero. A ideia que temos de nós mesmos orienta todos os nossos atos e como nos relacionamos com o mundo ao nosso redor. Ou, resumindo numa frase budista, "o homem (a mulher) é aquilo que ele(a) pensa ser". Cumpre às mulheres desenvolver um interesse maior pelo dinheiro que ganham e pelas perspectivas de futuro, aposentadoria, etc., pois este conhecimento lhes permite conhecer mais a si mesmas, seus sonhos e prazeres. Esta dica serve tanto para mulheres como para os homens.
Conforme já discorri em artigos anteriores, a semente da riqueza encontra-se dentro de nós, em nossos pensamentos e ideias. Ser uma investidora é mais uma questão de atitude do que de posses. A administração do tempo e os objetivos de vida também o são. "Mas não vejo nenhuma necessidade de ser investidora. Tenho quem faça isso por mim", dirá a leitora. É verdade: a sociedade moderna gerou um sem número de prestadores de serviços que nos permitem dedicar mais ao trabalho enquanto os primeiros cuidam daquilo que nos é mais caro. Babás, consultores, personal trainers, administradores, etc., estão aí para cuidar de seus filhos, negócios, saúde, etc. Mas não são todas as mães que confiam seus filhos aos cuidados de uma babá. E qual a mãe que deixa os filhos com a babá o tempo todo, 24 horas por dia, sete dias na semana, e não tem ao menos a curiosidade de saber como estão de saúde?
Suze Orman diz que as mulheres devem ter com o seu dinheiro a mesma relação afetiva que têm com seus filhos. Não um amor piegas ou apegado, mas o cuidado sadio de saber por onde anda, acompanhado de quem, qual a prespectiva de retorno, além de saber valorizarem a si mesmas no que tange a remuneração. Não são poucas as mulheres que, ainda hoje, trabalham tanto ou mais que os homens, porém recebem menos que estes.
A independência financeira, longe de uma prova de contestação da superioridade masculina, é uma necessidade da mulher atual que deseja fazer de sua vida afetiva algo pleno de significado e significância. Um relacionamento é, antes de tudo, uma parceria, uma cumplicidade, onde o ideal seria a igualdade de condições entre os parceiros, e não uma relação de dependência financeira, social e/ou sentimental. E, como sabemos, esta independência não depende de sorte. Depende da vontade de cada um.
A vida não é uma novela, mas sempre pode ter um final feliz.
Abraços ricos!

Mais com menos


Uma tendência na sociedade moderna é considerar que para ter mais, é preciso fazer mais. Trata-se de um raciocínio, digamos, cartesiano, onde as coisas funcionam de maneira diretamente proporcional. Mas, assim como na matemática, na vida cotidiana essa verdade não é absoluta. Quase todas as pessoas aceitam a ideia de que uma minoria da população mundial detem a maior parte das riquezas disponíveis. Da mesma forma, não é absoluta a ideia de que, para termos mais riquezas, precisamos trabalhar mais ou nos esforçar mais.
O escritor Richard Koch, autor do livro "O Estilo 80/20" (Editora Sextante), é um defensor do chamado Princípio (ou Lei) de Pareto para a realização dos objetivos de vida. Mas o que seria esse Princípio? O economista, político e sociólogo italiano Vilfredo Pareto (1848-1923) foi o primeiro a observar que cerca de 80% das riquezas mundiais se concentravam nas mãos de 20% da população. O consultor romeno Joseph M. Juran (1904-2008), pai da gestão da Qualidade, adaptou o princípio de Pareto para a administração, ao afirmar que 80% das consequencias advem de 20% das causas. Em seguida, Koch adaptou o mesmo princípio para os investimentos e a vida pessoal, tendo escrito vários livros sobre o tema.
Como isso funciona na prática? Este princípio é bastante útil para gerenciamento do tempo, planejamento pessoal e, sem dúvida, investimentos e finanças pessoais. Por exemplo, ao investir em ações, se levassemos em consideração a ideia de que mais gera mais, o ideal seria uma carteira com o maior número de ações altamente valorizadas. Entretanto, com os altos e baixos do mercado, o risco desta carteira não seria menor que outra composta por players menores e/ou startups. Koch vai mais além: o mais importante é a predileção e o conhecimento prévio que o investidor tem do negócio onde se investe. Isso explica os investimentos feitos e os retornos sensíveis que o autor alega ter obtido de empresas como Filofax (fabricante de material de escritório, cujas agendas eram famosas na Inglaterra) e Betfair (casa de apostas que se tornou um fenômeno na Grã-Bretanha).
Numa outra vertente, podemos observar que os sucessos que podemos ter obtido em nossas vidas se devem a pouco ou quase nenhum esforço de nossa parte, quando nos concentramos em algo que era de nossa predileção ou que conhecíamos muito bem. Para quem está familiarizado com a matriz SWOT (forças e fraquezas, oportunidades e ameaças), justamente quando nos concentramos mais em nossas forças e oportunidades avançamos mais do que quando nos esforçamos para corrigir fraquezas e evitar ameaças.
E na Educação Financeira? A ideia é reduzir e otimizar. Reduzir cartões de crédito, dívidas, despesas desnecessárias, como já dissemos em diversos artigos anteriores. Reduzir nosso portifólio de investimentos, concentrando-se nos quais se tem um conhecimento e confiança maior, algo que varia de acordo com o perfil do investidor. Aliás, os conceitos de reduzir, reutilizar, reciclar e descartar se encaixam perfeitamente em nossa vida doméstica, em todos os sentidos. No trabalho, concentrar-se nas tarefas que possuam maior significado e retorno (agregação de valor) para a sua atividade/negócio, enxugando processos e não procurando preencher o tempo economizado com mais tarefas improdutivas (melhoria da qualidade de vida). E o uso do dinheiro de maneira mais conscienciosa, onde cada real empregado deve possuir maior poder aquisitivo. Em outras palavras, pesquisar, pechinchar, adquirir somente quando necessário, evitar comprar por impulso.
Viver uma vida baseada no princípio de Pareto é uma questão de hábito, que nasce do auto-conhecimento. Através do planejamento pessoal e de estabelecimento de objetivos de vida, adotar este hábito se torna mais fácil e prazeroso, visto que a observação dos 20% das causas e dos 80% de resultados nos ajuda a manter a motivação e a vigiar as atitudes cotidianas. E assim, aquele velho sonho do preguiçoso que queria trabalhar menos e ganhar mais passa a ter um novo alento...
Abraços ricos a todos!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Mercado de ações: estratégia é fundamental (parte II)

No nosso último artigo (clique aqui), havíamos abordado alguns aspectos que concorrem decisivamente para a formulação de uma estratégia de investimento em ações, e mais que isso, para uma estratégia de sucesso. Lendo um ótimo artigo disponível no Valor Econômico, ficou ainda mais evidente a importância de definir uma estratégia, já que o seu autor, Marcelo D´Agosto, fala em dois tipos de estratégia:

1. “top-down”: é o investimento feito "de cima pra baixo", onde as escolhas de como aplicar os recursos seguem as questões de macroeconomia, como setores em ascensão, além de projetos e leis que tendem a melhorar a situação de determinados setores.
2. “bottom-up”: é o chamado investimento "de baixo pra cima", que considera o potencial de valorização dos ativos sem maiores preocupações com os aspectos macroeconômicos.

E mais que apenas definir, o autor defende que a “bottom-up” é a melhor alternativa de estratégia e eu concordo, considerando que decisões de investimento precisam seguir um planejamento de longo prazo, estratégico, e o perfil do investidor, e, portanto, não deveriam se movimentar como uma folha de árvore ao vento, sem direção.

O outro aspecto destacado na reportagem é a queda no consumo das famílias, já que houve recente aumento da inflação e dos juros, que agora estão em queda. Isto não é surpresa, tendo em vista que antes disto, os juros estavam mais baixos e havia mais facilidades de crédito, para uma população com nível de educação financeira não tão elevado, o que resultou em exagero nas compras e conseqüente aumento da inflação. Outra vez, a falta de educação financeira, de planejamento e de controle orçamentário contribuiu para dificultar a vida da economia brasileira. 

Até a próxima!