quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Mercado de ações: estratégia é fundamental

Caros Amigos,

Li uma reportagem do Estadão (clique aqui), na qual especialistas apresentam uma perspectiva de muita instabilidade para o mercado de ações brasileiro para o ano de 2012, ou seja, quem investe ou quer começar a investir em ações precisará ter muito "sangue frio" e muita determinação como características comportamentais fundamentais.

Além das características fundamentais citadas acima, há outra, de ordem técnica, tão importante quanto, que é a capacidade de desenvolver estratégias que façam frente a este momento e possam trazer rentabilidade, mesmo neste momento complicado. Pensar estrategicamente, de forma bem resumida, é pensar e planejar em ações no curto prazo que possam gerar resultados no longo prazo, uma habilidade que será necessária nos próximos meses.

Entretanto, para poder pensar e desenvolver estratégias no mercado de ações, entra em cena a necessidade de conhecimento do mercado, aquilo que já defendemos aqui, a importância de estudar, procurar informações e tomar pé do que ocorre e do que é possível fazer. Por exemplo, existe uma possibilidade chamada aluguel de ações (citada na reportagem), que pouca gente conhece e que consiste em emprestar as ações para outro investidor, mediante uma taxa de aluguel. Uma estratégia que pode ser muito interessante para quem não vai vender as ações no curto prazo e pensa em termos fundamentalistas, ainda mais que continua recebendo os dividendos e os juros sobre capital próprio.

Desta forma, vejam que será perfeitamente possível obter resultados favoráveis mesmo em um cenário complicado como o que está sendo previsto para o mercado de ações em 2012.

Obrigado, pessoal!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Karnani e o paradoxo do (micro)crédito

Semana passada alguns colegas de trabalho que trabalham no setor de microfinanças estavam discutindo as declarações do economista indo-sudanês Aneel Karnani acerca do microcrédito, publicadas na revista Exame. A revista, como todo veículo de comunicação brasileiro, estampou em letras garrafais: “O microcrédito não acaba com a pobreza”. Analisemos com calma.
Na entrevista, Karnani destila seu ceticismo com o microcrédito, por considerar que este “romantiza a pobreza”. Diferentemente do que acredita Karnani, não é o microcrédito que romantiza a pobreza, mas sim a cultura política dos países em desenvolvimento. É preciso ter em mente que, para estes países, a manutenção da pobreza e do analfabetismo é a manutenção do status quo político. Só assim é possível eleger pessoas descompromissadas com os interesses da população, que manterão o círculo vicioso. Uma população educada e remediada financeiramente é um risco para os interesses particulares de congressistas e outros ocupantes de cargos públicos.
Por outro lado, Karnani acredita que os pobres empreendem por necessidade e que o empreendedorismo é para quem é criativo, ambicioso e persistente. Isso pode até ser verdade, mas precisamos observar os fatos: o emprego assalariado no mundo está em queda. Novos postos podem ser gerados através de micro e pequenos empreendimentos, ainda que estes sejam motivados pela necessidade. Mesmo os que já são assalariados estão vendo no empreendedorismo uma maneira de aumentar suas rendas, auxiliar no orçamento doméstico, acelerar a realização de sonhos e até mesmo como uma satisfação pessoal. Portanto, afirmar que, pelo fato de 90% da população querer empregos elas não possuem potencial empreendedor é, no mínimo, miopia conceitual.
Karnani também aponta que 80% do microcrédito concedido é para aquisição de bens de consumo. Não é preciso microcrédito para isso: basta o crediário das grandes lojas de departamento para conseguir o mesmo efeito. O erro do autor aqui é colocar no mesmo saco o microcrédito para bens de consumo e o microcrédito produtivo orientado, que possui uma conotação bastante diferente. O primeiro foca a bancarização de uma parcela da população que é desprezada pelas instituições financeiras tradicionais. Já no microcrédito produtivo orientado, o crédito é concedido para empreendedores com negócios em funcionamento, os quais são acompanhados pelos assessores de crédito durante todo o ciclo do empréstimo, de maneira a evitar o desvio de recursos e a inadimplência. Este último tipo de microcrédito estimula a formalização dos pequenos negócios, a geração de emprego e o aumento da riqueza, além de ser um importante instrumento de Educação Financeira.
O alvo principal do discurso de Karnani é o Grameen Bank, criado pelo Nobel da Paz Muhammad Yunus. O economista alega que os países que mais adotam o microcrédito, segundo ele Bangladesh e Bolívia, permanecem pobres. Detalhe: Bangladesh é o país natal de Yunus e onde este criou o Grameen Bank. Por outro lado, elogia iniciativas como a brasileira, onde há, mais uma vez segundo ele, melhor distribuição de renda através do Bolsa Família – os paulistas de classe média “nordestófobos” devem ter odiado esta parte – e houve a geração de milhares de empregos (sic). O paradoxo está aí: o Bolsa Família estimula o consumo, pois, com o “dinheirinho do governo”, dá pra pegar aquele crediário para comprar a TV de LED para colocar no barraco. Este é um dinheiro de política social que não possui controle, nem é voltado para atividades produtivas. E os empregos criados no país ainda estão longe de erradicar a pobreza. Para fechar com chave de ouro, declarar que a geração de empregos na China a ajudou a combater a pobreza foi a frase mais infeliz de Karnani. É consensual o fato de que a China oferece trabalho escravo, empregando mulheres e crianças em condições desumanas.
Resumindo: para gerar uma declaração de efeito, Karnani escolheu como bode expiatório uma ferramenta econômica que pode auxiliar no combate à pobreza, incentivando a produção e a geração de empregos. Claro que o microcrédito, sozinho, não tem esse poder. Políticas públicas de estímulo ao empreendedorismo, serviços públicos de qualidade, redução de impostos e combate ao desperdício e à corrupção são companheiras do microcrédito nessa batalha. Por parte do cidadão, o espírito empreendedor, aliado a uma boa educação financeira, podem reforçar este contingente de esforços coletivos para promover a verdadeira erradicação da pobreza no país.
Sucesso a todos!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Pensamentos sobre dinheiro (parte II)

Ainda na perspectiva de que o pensamento tem poder sobre nossas vidas e de que só chegam à riqueza aqueles que efetivamente tem pensamentos de riqueza, resolvi dar continuidade a nosso outro artigo (clique aqui) trazendo mais citações sobre dinheiro e riqueza, que valem muito e podem nos ajudar a conduzir nossas finanças:

- "O errado não é a criação de riqueza, mas o amor ao dinheiro por si só." (Margareth Thatcher): um belo exemplo de como as civilizações anglo-saxônicas encaram o dinheiro e a prosperidade, como algo natural, um direito de todos, mas sempre com aquele mesmo limite que defendemos: o dinheiro não pode ser seu dono, você é quem tem que ser o dono dele!

- "Dinheiro não cria sucesso, a liberdade para fazer dinheiro sim." (Nelson Mandela): uma prova de que sucesso e dinheiro não são sinônimos. A liberdade para fazer dinheiro significa a liberdade de ser bem sucedido, um profissional (empregado ou empreendedor) que tem seu espaço e pode ser eficiente. Isto é o que cria sucesso. O dinheiro é consequência, basta ver quanta gente ganha milhões na loteria e perde tudo.

- "Não estimes o dinheiro nem mais, nem menos do que ele vale: é um bom servidor e um péssimo amo." (Alexandre Dumas Filho): outra vez a nossa mensagem: é você quem manda no dinheiro, e muita gente esquece disso e faz ao contrário.

- "Dinheiro nunca foi uma grande motivação para mim, e sim uma espécie de placar. O que realmente estimula é jogar." (Donald Trump): dinheiro por si só motiva, é claro, mas apenas até um determinado ponto. Depois, é fundamental haver outras motivações, outros objetivos além do mero acúmulo de dinheiro. Até o Tio Patinhas se motiva por outras questões também.

- "Eu ainda acredito que uma pessoa muito rica deve deixar para seus filhos o suficiente para eles fazerem qualquer coisa, mas não o suficiente para não fazerem nada." (Warren Buffett): esta é uma forma fantástica de tratar a questão da herança. Nada de deixar os filhos ociosos, eles precisam ter motivação e objetivos, e desde cedo. Só que esta atitude tem que ser o exemplo de toda a vida.

- "Conforme envelhece, a maior parte dos homens ama mais o dinheiro e a segurança e menos a criação e a construção.o" (John Maynard Keynes): este pensamento demonstra como o nosso perfil de propensão a risco se modifica ao longo da vida. Quando jovens, aceitamos assumir mais riscos para ter mais ganhos, mas depois, quando temos mais responsabilidades, especialmente com filhos, tendemos a ser mais conservadores. É natural e é uma forma de proteção.

Até mais!!!!!

sábado, 12 de novembro de 2011

Endividamento Familiar: você sabe medir?

Oi, pessoal!

Uma preocupação muito pertinente na educação financeira é com o endividamento das famílias, afinal, um endividamento excessivo será sinônimo de famílias que não realizam sonhos, que vivem apenas para trabalhar e pagar juros e não formam patrimônio. Então, é claro que precisamos saber duas coisas sobre a composição de nossas dívidas:

1 - Estas dívidas são boas ou ruins? Nós já falamos sobre isto antes (clique aqui)...
2 - O endividamento está alto demais? Esta é uma questão fundamental!



Para sabermos se estamos na trilha da formação de patrimônio e realização de sonhos ou não, precisamos entre outras coisas verificar se estamos muito endividados ou não. E aí é que entram cena dois aspectos e algumas continhas tem que ser feitas, além de estabelecer um planejamento para redução do endividamento que envolva toda a família.

O primeiro aspecto a considerar é a duração de cada dívida. O financiamento da casa própria, normalmente é de longa duração e não pode ser encarado da mesma forma que o cheque especial, que é de curto prazo, já que a primeira tende a ser melhor planejada do que a segunda, com impactos que são melhor enquadrados no seu orçamento e teoricamente, trarão menos preocupações. Além disto, o financiamento da casa própria normalmente vem em substituição à despesa com aluguel, enquanto o cheque especial vem para completar o orçamento, vem para suprir uma insuficiência financeira. Percebem a diferença de gravidade entre uma dívida de longo prazo e uma de curto prazo?

O segundo aspecto já foi comentado acima: a dívida é boa (foi feita para gerar recursos ou investir) ou é ruim (dívida apenas para gastos)? Vale a pena ressaltar que nem sempre dívida ruim é dívida desnecessária. É importante não confundir as coisas, ainda que dívidas ruins tem prioridade na sua liquidação.

E agora, vamos entender como medir nosso endividamento:

- Em primeiro lugar, liste todas as suas dívidas, verificando quanto terá que ser pago a cada mês;
- Agora uma continha básica: pagamento mensal das dívidas / salário líquido. Qualquer resultado acima de 20% já merece o "sinal amarelo" e deve considerar apenas DÍVIDAS e não as contas do dia-a-dia. É interessante verificar este indicador pelos próximos 12 meses, para entender se sua situação permite ou não novas dívidas;
- Faça outra conta: soma das dívidas / soma de investimentos. Este indicador será bom se for superior a 1 (100%) e vai te mostrar se em uma situação extrema você teria como liquidar as suas dívidas e assim, evitar consequências como a perda de um imóvel financiado por inadimplência;

Apenas após fazer estas contas é que você deve procurar seus credores para renegociar suas dívidas, se necessário, apresentando propostas concretas e que você de fato poderá cumprir. Alcançando os indicadores descritos, você estará em um caminho seguro para investir e aumentar seu patrimmônio, realizando todos os seus sonhos!

Até a próxima, amigos!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Estilo de vida e Luxo são a mesma coisa?

Lendo este texto (clique aqui), pude reforçar a crença que já tinha, de que é possível ser feliz com uma boa condição financeira, sem necessariamente ter grandes luxos. O casal citado, de sexagenários bem posicionados financeiramente, que são os pais da autora, optam por um estilo de vida mais frugal, mas dedicam-se a um prazer que só é possível para que dispõe de algum dinheiro: viajar e aproveitar o que há de bom nas culturas de outros países.

Este tipo de decisão, com êxito, reafirma algo em que nós, do Enriquecimento Total, também acreditamos: o sucesso financeiro depende de prioridades e também de assumir as consequências dos nossos atos. Uma vez, o Adriano Duarte, conversando comigo, abordou a "necessidade" de ter uma Ferrari, com seu seguro, manutenção e impostos caríssimos, quando qualquer carro pode cumprir a função essencial de locomoção. O luxo é realmente necessário?

Sendo assim, pode-se dizer que esta situação mostra o que aparentemente é óbvio: que existe um amplo espectro de possibilidades de uso do dinheiro, desde a avareza total, até o esbanjamento absoluto, e dentro deste espectro é que se encaixam as prioridades, que no caso do casal do texto, eram de viajar e apreciar outros países, em detrimento de alguns luxos, e ainda por cima gastando menos (ainda que esta economia tenha sido involuntária). Isto, que começou meio sem querer, agora que é voluntário, chama-se PLANEJAMENTO, e mostra que luxo é apenas uma das possibilidades de estilo de vida. Estilo de vida, é algo muito maior, é a forma como queremos viver e aproveitar nosso dinheiro.

Até a próxima!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

FGTS: seu aliado na luta pela casa própria

Um dos maiores sonhos de todos os brasileiros, se não o maior deles, é a aquisição da casa própria. Deixar de pagar aluguel é um benefício que embala o sono de milhões de pessoas todas as noites. Muitos economizam e planejam anos a fio em nome deste objetivo. E é muito bom que isto ocorra, porque ter objetivos claramente definidos é fundamental para o êxito financeiro (clique aqui).

A luta pela conquista do imóvel próprio tem um aliado importante: o bom e velho FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), criado em 1966, e que tem a função de proteger os trabalhadores brasileiros em algumas situações de desemprego, é representado por 8% de sua remuneração bruta. Os recursos também servem para auxílio em caso de determinadas enfermidades, e como sabemos, para aquisição da casa própria.

Entretanto, há um problema importante no FGTS, mas que nem de longe o invalida: a sua baixa rentabilidade. Os recursos são remunerados pela TR (Taxa Referencial) + 3% ao ano. Isto não chega a 3,5% anuais, ou seja, perde para a inflação (que hoje está em torno de 6%) e pior, perde e muito, para as taxas de juros cobradas para o financiamento imobiliário (que podem ser de mais de 9% anuais). Então, o ideal é ter como estratégia a amortização de seu financiamento a cada 2 anos (período mínimo), porque é mais vantajoso obter os descontos nos juros por pagar antecipadamente do que simplesmente acumular o FGTS. 

Até mais!!!!!