terça-feira, 25 de outubro de 2011

Vai para a bolsa em 2012? Faça a lição de casa antes (por André Massaro)


Para a maioria dos investidores, em especial aqueles menos experientes, 2010 e 2011 são anos para serem esquecidos. Nesses dois anos, as principais ações testaram a paciência e os nervos dos investidores. Foi um período realmente difícil, ainda mais para quem assistiu o grandioso mergulho das ações em 2008 seguido de surpreendente recuperação.
Para o investidor que trabalha baseado em tendências, o cenário que ocorreu em 2010 e 2011 é o pior possível: aquilo que no jargão se chama de “mercado de lado”, quando fica sem tendência definida, caindo e subindo de uma forma meio errática.
Não se sabe como o mercado vai se comportar em 2012. Uma análise preliminar pode nos levar à conclusão que os problemas econômicos que fizeram a bolsa se comportar tão mal nos últimos dois anos estão longe de estarem solucionados, mas algumas pessoas apostam que os mercados podem se recuperar em 2012.
Devo deixar claro aqui que não é meu caso. Eu não “aposto” em nada. Não sou um jogador e nunca fui, e confesso que fico um pouco incomodado quando ouço pessoas falarem em “jogar na bolsa”. Quem “joga” vai ao bingo ou ao cassino. Pessoas que vão à bolsa para “jogar” costumam ter vida curta.
Mas para aqueles que pretendem se aventurar no mercado de renda variável nos ano que vem e ainda não têm grande intimidade com esse mundo, aqui vão três dicas:
1 - Jamais aceite “dicas” (incluindo as minhas)
Você quer ter sucesso na bolsa? Então estude. Não estou dizendo para virar um PhD em mercados de capitais, mas ao menos saiba o básico para conseguir distinguir uma informação bem fundamentada de uma dica furada.
A maioria dos investidores iniciantes (e alguns nem tão iniciantes assim) ainda corre desesperadamente atrás da dica “matadora”, como se isso existisse. Viram presas fáceis dos espertalhões de plantão e dos gurus financeiros de araque que povoam os fóruns de bolsa da internet.
Sempre se pergunte: “por que alguém me daria uma dica?”. Aquela pessoa consegue ganhar muito dinheiro com suas próprias dicas? Ela já é rica? Por que alguma “alma caridosa” iria te dar (ou vender) o mapa do caminho da felicidade?
2 - Desenvolva sua própria estratégia
Conheça um pouco sobre as diferentes “escolas” de análise de investimentos. Em especial as duas mais importantes (análise fundamentalista e análise técnica). Tenha em mente que nenhuma delas é perfeita e cada uma tem suas vantagens e desvantagens. Procure saber quais são as vantagens e desvantagens de cada uma e use-as a seu favor.
3 - Expectativas e risco
Tenha expectativas realistas quanto ao retorno. Existem pessoas que conseguem lucros altíssimos em suas operações, mas as perdas, quando ocorrem (e elas SEMPRE ocorrem) costumam ser igualmente altas. Não acredite que aquela rentabilidade fantástica que você conseguiu em um único mês vai se repetir para sempre, e sempre trabalhe dentro dos limites de seu capital. Estabeleça limites de perda para cada operação que realizar. Lembre-se que a perda é inevitável, mas você consegue controlar o quanto perde.
Lembre-se sempre do velho clichê do mercado: “corte as perdas rapidamente e deixe os lucros fluírem”.
Seguindo essas três recomendações, sua chance de sobreviver (e de prosperar) na bolsa aumentará muito, e já posso te desejar antecipadamente um “Feliz 2013”.

André Massaro
Especialista em finanças pessoais e educador financeiro
Twitter: @andremassaro

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Guy Fawkes, Hippies, Primavera Árabe e os Indignados do século XXI

A humanidade passa por movimentos cíclicos, como aprendemos na escola. E, ao observarmos direito, perceberemos sempre uma repetição de questionamentos e de desejos coletivos, mesmo que com outras cores e intensidades. Como disse o naturalista Lavoisier, “(...) nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”.
Nosso leitor e colega Leonardo Magnavita nos apontou o recente movimento dos Indignados, também conhecido como “Ocupe Wall Street” e perguntou-nos nosso pensamento a respeito. Após me inteirar do assunto e ver uma reportagem na TV sobre os manifestantes que acamparam sob o Viaduto do Chá, em São Paulo, lembrei-me imediatamente do movimento de Contracultura da década de 60 e do que comentou um professor meu da faculdade de Comunicação sobre o assunto: de que teria dado certo, se os hippies não tivessem focado numa “sociedade alternativa” àquela que questionavam. Ou seja, ao querem deixar a sociedade “careta” para criarem uma outra, acabaram sendo absorvidos como modismo pela primeira.
A fim de contextualizar o assunto para quem, como eu, andou meio alheio, “Ocupe Wall Street” é um movimento iniciado e organizado através das redes sociais existentes na Internet, inspirado nos levantes populares ocorridos em diversos países do Oriente Médio que levaram à queda de pelo menos três governos e a morte de um ditador, Muanmar Khadafi. Ou seja, “Ocupe Wall Street” é a versão do resto do mundo para a “Primavera Árabe”. Seu objetivo é comover a opinião pública mundial para a mudança nos paradigmas de política econômica adotada nos países capitalistas, bem como por reformas políticas e sociais em larga escala. Em pelo menos três países – Itália, Austrália e Grécia, que já vinha em clima de guerra civil desde a adoção de medidas impopulares pelo governo grego para tentar evitar um colapso financeiro no país – o movimento entrou em confronto com forças policiais e ocorreram atos de vandalismo. Mas, em geral, o movimento é pacífico e teve adesão forte nos países atingidos diretamente pela crise econômica mundial.
No Brasil, a adesão não foi significativa, tendo em vista a privilegiada situação econômica e as fortes chuvas que abateram São Paulo na última semana. Também faltou foco aos Indignados tupiniquins: o protesto se referia desde a questão da homofobia até a crítica aos partidos políticos. Mas o que me chamou mesmo a atenção foi o aparecimento de máscaras de Guy Fawkes (inclusive na capa da Veja desta semana), tradicionalmente usadas na Noite das Fogueiras (5 de novembro), um festejo popular inglês, e tornadas mundialmente conhecidas pela versão cinematográfica de “V de Vingança”, baseada na graphic novel de Alan Moore. A grosso modo, Fawkes foi uma espécie de Tiradentes da Inglaterra, só que tratado como Judas (traidor).
E dessa salada de frutas toda, o que se tira de conclusão? Diferentemente de movimentos ocorridos no século XVI, no caso de Fawkes, e no século XX, no caso dos hippies, a deflagração de movimentos populares como a Primavera Árabe e “Ocupe Wall Street” possui uma poderosa arma de comunicação, que são as redes sociais baseadas na Internet. Sua organização e difusão viral ocorrem praticamente em tempo real, permitindo que aconteçam simultaneamente em diversas partes do planeta. Outro fator a ser observado é que, apesar dos protestos terem motivações diferentes em cada país, são um sinal importante para governos e atores do mercado financeiro de que a crítica ao capitalismo como o conhecemos não desapareceu com a queda da União Soviética. E os manifestantes tem os fatos a seu favor, pois a crise é fruto de políticas econômicas defasadas que atingem diretamente os 99% da população mundial, para engordar os bolsos do 1% restante, conforme defendem os organizadores. Um outro ponto a ser observado é a descrença nos partidos políticos convencionais, com participação maior dos partidos nanicos de ultra-esquerda.
Movimentos como estes provocam instabilidade nos países onde ocorrem com maior força, o que preocupa dos investidores. Por outro lado, somente a constância das mobilizações pode levar a mudanças sensíveis, como o que ocorreu na Tunísia, Egito e Líbia. Para isso, as redes sociais são, mais uma vez, fonte de incentivo. Já existe um evento registrado no Facebook para relembrar Guy Fawkes no dia 5 de novembro próximo, com a clara intenção de complementar o movimento “Ocupe Wall Street”. É a globalização de um evento inglês, com tom de protesto mundial.
Nenhuma reforma social, política e econômica acontece da noite para o dia, mas, como defendia Marx, começa dos movimentos das massas, hoje mais conscientes que no passado. O Materialismo Histórico cabe bem para explicar estes dias caóticos, mas ainda estamos longe de uma “ditadura do proletariado” ou da ascensão de governos socialistas ou comunistas, no sentido defendido pelo autor de O Capital. O capitalismo precisa se reinventar mais uma vez, deixando de lado o mero acúmulo de capital de lado para dar uma resposta às demandas sociais cada vez mais crescentes em todo o mundo.
Sucesso a todos!

Ações: Grafismo X Fundamentalismo

Olá, pessoal!

Vamos falar hoje um pouco mais sobre mercado de ações, mais especificamente sobre as formas de analisar ações e adquirir informações para escolher quais ações comprar dentre as muitas opções disponíveis no mercado. Basicamente existem duas formas de análise: a análise gráfica e a análise fundamentalista.

A análise gráfica é pautada pelas oscilações e por tendências que se formam a partir destas mesmas oscilações. Este método é objeto de muitas discussões, inclusive com vários livros inteiros dedicados ao assunto, normalmente voltados à operações de compra e venda no curto ou curtíssimo prazo. Além disto, esta forma de análise é cercada de um certo glamour, em função da "fantasia" do heroísmo, de fazer fortuna no mercado de ações de forma bastante destemida e rápida.

Já a análise fundamentalista tem um caráter muito mais voltado ao longo prazo, e prioriza informações advindas do balanço patrimonial, da demonstração de resultado de exercício, da demonstração de fluxo de caixa e outras peças contábeis. Desta maneira, é muito menos discutida do que a análise gráfica, e por ser menos conhecida, menos pessoas aproveitam os seus benefícios, especialmente para quem não dispõe de muito tempo e recursos para o frenético "compra e vende" dos grafistas, que gera custos de corretagem, por cada ordem de compra e venda.

A análise fundamentalista percebe tanto os aspectos internos, ou seja, de gestão da empresa e dos seus indicadores econômicos-financeiros, mas também observa os aspectos externos, de macroeconomia (taxa de juros, inflação, desemprego, PIB, etc...) e de caráter setorial, inclusive de determinações do Estado que possam influenciar os rumos do setor econômico em que a empresa está inserida. Porém, conforme o livro "Warren Buffett e a análise de balanços", de Mary Buffett e David Clark, que li recentemente, mostra que o importante é que a empresa da qual vamos comprar ações, tenha uma vantagem competitiva inegável, o que garantirá resultados por anos a fio.

Vale a pena pesquisar mais a respeito...

Até a próxima, pessoal! 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Pensamentos sobre dinheiro...

O Adriano Duarte, em seus últimos artigos postados neste blog, tem ressaltado aspectos importantes, como o poder do  pensamento em nossas vidas. Ele sempre destaca que só chegam à riqueza, aqueles que tem pensamentos de riqueza, o que me leva a crer que as palavras são um resultado mais concreto desta assertiva, e que em alguns casos antecedem às ações.

Desta forma, trouxe para vocês cinco citações sobre dinheiro e riqueza, que considero muito significativas e dotadas de grande valor:

- "Se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre; se vives de acordo com as opiniões alheias, nunca serás rico." (Sêneca): um pensamento muito interessante e que em linhas gerais, significa que basta seguir seu caminho, de esforço e dedicação, e não atropelar o rumo da vida, para que a riqueza aconteça, e mais, a riqueza a que Sêneca se refere é soma do lado material e do lado espiritual ou de consciência;

- "Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência." (Henry Ford): é por isso que não adianta simplesmente dar dinheiro. Nem todos estão qualificados a lidar com ele, e nem todos sabem que o dinheiro é uma consequência, é um resultado da soma de sabedoria, experiência e competência.

- "Quando um homem diz: 'O dinheiro compra tudo', a coisa fica clara - ele não tem dinheiro." (Ed Howe): quem tem muito dinheiro sabe disso, ainda que o dinheiro pareça de fato que pode comprar tudo. Além disto, se o dinheiro pudesse comprar tudo, um cara como Steve Jobs não morreria com apenas 56 anos de idade, com a saúde tão debilitada quanto o mundo pôde ver.

- "Perca dinheiro da firma, e eu serei compreensivo. Perca uma migalha da reputação da firma, e eu serei impiedoso." (Warren Buffett): o dinheiro não vale a sua "alma" e por isso mesmo, não deve se sobrepôr aos seus princípios e valores.


- "O rico não trabalha por dinheiro. O pobre e a classe média trabalham por dinheiro. O rico tem o dinheiro trabalhando para ele." (Robert Kiyosaki): é o que mais defendemos neste blog, que você, com sua educação financeira, seja senhor do dinheiro e não o contrário. Quem tem educação financeira, domina o dinheiro e evita ser dominado.

Até mais, meus amigos!!!!! 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A diferença entre o Ser e o Ter

A grande maioria das pessoas tem dificuldades em enriquecer por achar que a riqueza reside no ter, quando na verdade ser rico é um estado de espírito. Uma pessoa possuidora de muitos bens pode ser considerada pobre, enquanto uma pessoa que vive num casebre, com apenas a roupa do corpo, pode ser muito rica. Como isso é possível?
Depende do ponto de vista, partindo de uma definição do que seja a riqueza. Eu, particularmente, adoto a definição do Prof. Masaharu Taniguchi, fundador da Seicho-No-Ie: “riqueza é tudo aquilo que beneficia o homem”. Partindo dessa premissa, podemos dizer que toda e qualquer coisa que torne a vida do ser humano melhor e mais significativa é uma forma de riqueza. O ar que respiramos, a água que bebemos, os alimentos, a educação que recebemos dos nossos pais e professores, nossos livros, são exemplos de riquezas. Mesmo os acontecimentos aparentemente ruins em nossas vidas podem se tornar riquezas de valor inestimável, quando crescemos com elas. Por outro lado, o mero acúmulo de bens pode se tornar um transtorno para qualquer pessoa, quando não existe um suporte emocional e psicológico, conforme discorri em meu artigo anterior.
Enquanto escrevia as primeiras linhas deste artigo, fiquei sabendo da morte de Steve Jobs pelo noticiário. A história dele é bastante rica: embora tenha nascido em situação adversa e sido entregue para adoção, motivos para neura e desânimo de muita gente, seu senso de oportunidade e fé naquilo que ele e Steve Wozniac criavam deu origem a um dos maiores ícones tecnológicos do século passado, sendo, ainda hoje, sinônimo de inovação, qualidade e beleza.
Em uma palestra dada por ele em Stanford, em 2005, Jobs comentou sobre sua demissão da Apple, cerca de 20 anos antes, dizendo que, apesar de ser inconcebível ser demitido da empresa que ele mesmo criou, foi uma das melhores coisas que lhe acontecera. De fato, após ser demitido, Jobs adquiriu a Pixar, que pertencia à LucasFilm e, depois, fundou a NeXT, duas empresas inovadoras que fizeram história. A primeira tornou-se um dos estúdios de animação mais premiados do mundo, hoje pertencente à Disney. A segunda criou um novo sistema operacional, o NeXTstep, sendo adquirida posteriormente pela própria Apple, que consequentemente readmitiu Jobs. O MacOS X, atual sistema operacional da “empresa da maçã”, é um descendente direto do NeXTstep.
A riqueza de Jobs residia em suas visões, seu carisma e sua completa fé no sucesso de seus produtos. Sua influência pessoal era tão grande que ficou conhecida como “Campo de Distorção da Realidade”. Segundo funcionários da Apple, era impossível não se entusiasmar com tudo que Jobs defendia. Mas ele era um perfeccionista, portanto levava credibilidade na qualidade dos produtos que criava. Antes de ter sucesso e fortuna, o fundador da Apple era uma pessoa rica de ideias, autoconfiança e determinação. E conseguia transformar isso em riqueza tangível.
Por tudo isso, podemos dizer também, como defendem os espiritualistas, que a verdadeira origem da riqueza de todos os indivíduos é imaterial. Tudo advém de ideias e sentimentos daqueles que decidem agir para tornar seus sonhos algo concreto. Até mesmo este blog é fruto do pensamento meu e do Marcelo em divulgar a Educação Financeira e seus benefícios para a população brasileira. Um pensamento que é compartilhado por vários consultores e investidores espalhados pelo Brasil, que nos seguem pelo Twitter e nos acompanham pelo blog. Este reconhecimento é a nossa riqueza.
Finalizando, tenhamos em mente que a riqueza nos acompanha onde quer que estejamos, porque faz parte da nossa natureza. Somente seres humanos podem efetivamente dimensionar a riqueza: animais como gatos e cachorros não fazem distinção entre ricos e pobres materialmente falando – acredito que dêem importância material a apenas a um bom prato de comida. Também somos os responsáveis por imputar valor a algo – a precificação é um atributo humano, altamente subjetivo e influenciado por diversos fatores, desde sentimentais até os ambientais e climáticos.
Portanto, considerar-se rico, mesmo sem ter um tostão furado no bolso, não é, de modo algum, um contrassenso. Na verdade, é o primeiro e fundamental passo para a construção de uma sólida prosperidade. Assim, o “ser” antecede ao “ter”, como mostram as biografias de grandes líderes e investidores como Ford, Warren Buffett e o próprio Steve Jobs.
Sucesso a todos!

sábado, 8 de outubro de 2011

Investimentos: Novos tempos e novas estratégias.

Caros,

Nesta semana, tive a oportunidade e a satisfação de fazer um comentário sobre o atual cenário econômico, no I Encontro Nordestino dos Regimes Próprios de Previdência, realizado em Petrolina-PE, representando o Banco do Nordeste junto com o colega Marcos Freire, da Superintendência de Pernambuco.

No meu comentário, entre outras coisas, abordei um importante aspecto do cenário econômico brasileiro: a taxa básica de juros, a Selic, que deverá sofrer cortes progressivos daqui por diante, devendo cair dos atuais 12% ao ano para 9% ao ano no final de 2012, podendo diminuir ainda mais nos anos seguintes (cheguei a ter acesso a projeções de Selic a 5% ao ano, para o final de 2014). Neste cenário fica claro que o Brasil, com a economia mais confiável e sólida depois de 17 anos da implantação do Real, não permitirá mais que o governo pague 45% ao ano de juros por suas dívidas, como acontecia em Março de 1999. Acabou a farra dos investimentos altamente rentáveis e quase sem risco.

Em um cenário como este, qual seria a estratégia de investimentos para os próximos anos? O principal aspecto de qualquer (boa) estratégia agora, deverá ser a busca por investimentos tradicionalmente mais rentáveis que os títulos da dívida pública, principalmente ações e correlatos. Ainda em termos de títulos da dívida pública, destacam-se os NTN-B, cuja rentabilidade se baseia na inflação mais juros de 6% anuais, são uma boa opção para a parcela de seus investimentos com objetivo de preservação do capital.

Enfim, o que muda com esta nova situação, é que quem deseja alcançar a independência financeira precisará fugir do "lugar comum" de emprestar dinheiro ao governo, e vai ter de estudar outras alternativas, sob pena de em algum momento obter rentabilidade inferior até à caderneta de poupança.
  
Até mais, meus amigos!!!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A medida da filantropia

Nas poucas vezes que assisto aos programas de TV dominicais, geralmente me interesso pelos quadros filantrópicos, aqueles em que a produção do programa recebe cartas pedindo para reformar casas e/ou melhorar a qualidade de vida de algum telespectador. Acho muito interessante a reação das pessoas envolvidas direta ou indiretamente nestes “atos de caridade”, bem como a questão da espetacularização dos supostos bons atos.
Obviamente, em toda essa suposta bondade dos apresentadores de TV e seus patrões, há uma grande jogada de marketing que movimenta milhões de reais a cada programa. A cada momento em que se conta a história do beneficiário da caridade, explicita ou implicitamente aparecem as logomarcas das empresas patrocinadoras do quadro ou da doação específica.
Até aí, nada de mais: acho importante e justo que as empresas promovam seus produtos e imagem através de ações como essas, numa tendência muito semelhante a das empresas sociais, que abordei aqui. A questão que levanto é: até que ponto um ato de caridade como este está realmente beneficiando seu recebedor?
Certo domingo assisti a um desses quadros, onde foi mostrado um retirante nordestino que vivia em condições subumanas com sua família na cidade de São Paulo. O programa ofereceu ao cidadão o retorno dele de volta à cidade de origem, com uma casa totalmente equipada com piscina desmontável e outros mimos. A notícia correu na pequena cidade do interior do Ceará e o beneficiário foi recebido como herói. Enquanto o quadro era mostrado, eu me perguntava: “como este rapaz irá sustentar sua família com uma casa tão repleta de coisas, e onde terá despesas que talvez não tivesse em São Paulo, como conta de água, luz, gás, etc.? O que vai garantir que ele não se sentirá obrigado a voltar a tentar a sorte em São Paulo?” Entretanto, no fim da atração, apareceu um representante da prefeitura da cidade anunciando que o retirante teria um emprego garantido naquela administração. Pensei comigo mesmo: “Menos mal...”
Em outro programa, um rapaz sulista, que com os filhos trabalha em um show circense, pediu a reforma da casa dos pais, feita de madeira e com mais de 50 anos de existência. Devido às condições da casa, não foi possível reformar, então construíram outra nova, de alvenaria. Neste caso, fizeram uma casa fantástica, com tudo o que há de mais moderno, inclusive sistema de segurança com circuito interno de TV. Neste caso, ficou a pergunta no ar: e as despesas extras de energia e água, quem vai arcar? Mesmo que o filho ajude nos custos, não teria sido melhor oferecer algo mais simples, que ficasse mais na realidade de vida deles?
Diz o ditado que “a cavalo dado, não se olha os dentes”. Entretanto, um caso como este último pode se tornar um verdadeiro “cavalo de Tróia”, “presente de grego”. Embora a vida ganhe uma qualidade acima do esperado para aquelas famílias humildes, o custo disso também pode ficar muito acima da capacidade dos mesmos, exceto se for oferecido juntamente alguma forma de aumentar a renda destas famílias. É como ganhar na MegaSena sem ter a mínima ideia do que fazer com tanto dinheiro junto. Com a mesma facilidade com que se ganha, pode-se perder tudo.
Por isso, advogo o pensamento da riqueza sustentável, a qual é construída pela educação para a riqueza – e onde se inclui a educação financeira. Para sermos ricos, precisamos saber o que é riqueza – que é bem diferente de ter dinheiro ou posses – e prepararmo-nos para possuir bens sem sermos possuídos pelos bens. Ser rico é muito mais atitude que propriedade. Abordarei mais sobre o assunto num próximo artigo.
Não acho errado que as pessoas procurem os programas de TV ou joguem nas loterias para tentarem a sorte e, quem sabe, mudarem radicalmente de vida. Na verdade, quem consegue chegar lá estão banhadas de muita sorte. Contudo, mais difícil que conseguir realizar o sonho é mantê-lo. E pra isso não basta só contar com a sorte. É preciso um forte alicerce psicológico e ideológico para manter-se motivado diante de adversidades que podem ocorrer quando se muda o padrão de vida. Esse alicerce não é oferecido pelos programas de TV, que visam unicamente promover empresas e produtos.
Sucesso a todos!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Como usar o cartão de crédito

Meus Caros,

Tenho percebido que recentemente vem acontecendo uma discussão mais intensa a respeito do papel do cartão de crédito nas finanças das famílias, por ser um instrumento de compra amplamente utilizado, que de fato é útil no cotidiano, mas que também tem um potencial altamente destrutivo para a organização financeira das pessoas, se mal utilizado.

Em vista do potencial destrutivo que o cartão de crédito possui, costuma-se dizer que todas as compras devem ser pagas à vista, mas eu pergunto: quantas pessoas poderiam comprar uma geladeira nova, caso a sua quebrasse hoje? Aí é que entra o cartão, que se for bem utilizado e cujas parcelas forem colocadas adequadamente em seu orçamento, torna-se um financiamento sem juros, uma boa opção de compra.  

O potencial destrutivo a que me refiro está relacionado aos juros cobrados em caso de atraso ou de pagamento inferior ao valor mínimo da fatura, que atualmente estão entre os mais caros do mercado, em alguns casos superando 12% ao mês. Para se ter uma idéia, R$ 100,00 não pagos, a 12% mensais, significam:

Após 12 meses = R$ 389,60.
Após 24 meses = R$ 1.517,86
Após 36 meses = R$ 5.913,56
Após 60 meses = R$ 89.759,69
Após 120 meses = R$ 80.568.025,50

Mesmo assim, há quem utilize uma estratégia que considero de alto risco, que consiste em pagar todas as contas com o cartão de crédito, ganhando assim um prazo a mais para de fato arcar com os pagamentos. Esta estratégia exige muito auto-controle e um possível ganho financeiro seria o de investir o dinheiro durante 30 dias, um pouco menos ou um pouco mais, em investimentos conservadores, afinal os riscos são muito altos no curto prazo.

Imaginemos que as contas de uma família, cujo pagamento foi postergado por 30 dias no cartão de crédito, somem R$ 3.000,00 e o dinheiro tenha sido aplicado na caderneta de poupança, com rendimento de 0,6%. O ganho será de R$ 18,00, o que é pouco para tanto auto-controle, não acham?

Outro problema está no fato de que algumas pessoas tem muitos cartões (mais de 10 em alguns casos) e atribuo parte deste problema ao que chamo de financeirização das empresas comerciais. Toda grande loja tem seu próprio cartão de crédito e só concede parcelamentos mais longos para compras pagas com seu próprio cartão. Desta maneira, quem tem 10 cartões de crédito precisa de um controle muito maior do que quem usa 3 cartões, assim como um malabarista que faz manobras com 3 malabares precisará de menos esforço do que um que use 10 malabares.

Além disto, precisamos entender que o limite do cartão de crédito não é uma extensão do nosso salário, ou seja, teremos que pagar pelo uso deste limite. As operadoras concedem limites normalmente altos, criando a ilusão de que somos "VIPs" e nos estimulando a gastar. Uma armadilha que pode ser driblada com planejamento por quem conhece bem o seu orçamento (clique aqui) e poderá destinar um determinado valor mensal a gastar com parcelas de cartão de crédito. Se você ganha R$ 3.000,00, limite as suas faturas a um valor máximo R$ 300,00.

Então, o "segredo" para o bom uso do cartão de crédito é o bom senso. Ninguém precisa ter mais de 2 cartões com bandeiras diferentes, sendo que um deles seria usado apenas para emergências, a exemplo de problemas com o cartão principal.

Até mais, meus amigos!